Brasil quer US$ 10 bi de ricos para congelar emissões de CO2

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O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, afirmou nesta terça-feira serem necessários no mínimo US$ 10 bilhões anuais de um fundo internacional de países desenvolvidos para congelar até 2020 os níveis de emissões de gás carbônico feitas pelo Brasil na atmosfera. De acordo com o ministro, que participou com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de uma reunião preliminar sobre mudanças climáticas, o Brasil está disposto a ações nacionais de mitigação (Nama) para preservar biomas como a Amazônia, o Cerrado e a Caatinga e estimular políticas de produção de etanol, de combate a resíduos e do uso de árvores de reflorestamento para contrabalancear a utilização de carvão vegetal.

Caso seja aprovada pelas demais instâncias do governo, a proposta de congelamento das emissões de gás pelo Brasil será apresentada na Conferência da ONU (Organização das Nações Unidas) sobre Mudanças Climáticas, em dezembro, em Copenhague (Dinamarca). O Brasil ainda requisitará que possa ser até quadruplicado o atual fundo internacional de mudanças climáticas, hoje em US$ 100 bilhões anuais. "Precisamos ampliar o fundo dos países desenvolvidos. (A quantia de) US$ 100 bilhões por ano é insuficiente. Estamos trabalhando com (patamar) três a quatro vezes maior", argumentou Carlos Minc.

"O Brasil vai ter números (para preservação ambiental). Queremos ter protagonismo e cobrar em alto e bom som que os ricos façam mais ainda", disse. Se o Brasil não apresentar propostas de contenção das emissões de gás carbônico, o País terá crescimento de cerca de 30% no lançamento de gases na atmosfera.

Ainda que favorável a uma postura mais ativa do Brasil em relação ao controle das mudanças climáticas, o secretário-executivo do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, Luiz Pinguelli Rosa, considera irrisório o valor mínimo apresentado por Minc. "Um problema desse tamanho, com US$ 10 bilhões, não é nada", afirmou.

Pela proposta do Ministério do Meio Ambiente, o congelamento das emissões feitas pelo Brasil permitiria avançar em programas sociais, como a instalação de luz elétrica em casas populares, e de inclusão, sem comprometer a meta de crescimento econômico mínimo de 4%. Propostas complementares ainda traçarão cenários para outras perspectivas de crescimento.

"O Brasil vai cobrar mais dos países desenvolvidos, que reduzam mais e que financiem mais", disse o ministro, reforçando que a posição brasileira também englobará a exigência de que os países ricos derrubem em 40% suas emissões de CO2 em relação às emissões de 1990, e não em apenas 25% como essas nações têm sugerido até agora.

"Não podemos trocar o clima pela miséria. Os ricos têm que pagar a conta. O que não podemos é ficar congelados (sem desenvolvimento) no mundo", ressaltou Pinguelli Rosa. "Os mais ricos, inclusive no Brasil, têm que ser afetados (por novos padrões de consumo, ecologicamente sustentáveis)", afirmou.

Para que no século 21 o planeta não tenha um aumento de 2ºC, considerado pelos países desenvolvidos um cenário altamente alarmante, as próprias nações estimam que a média anual de emissões de gás carbônico teria de ser de 18 bilhões de toneladas-equivalentes de CO2. Atualmente, as emissões anuais estão na casa das 45 bilhões de toneladas.

"Achar que o mundo inteiro vai cumprir essa meta (de 18 bilhões) mantendo os atuais padrões de consumo é uma ilusão absoluta. Os padrões de consumo são insustentáveis", alertou.

Conforme havia comentado ontem o presidente Lula, Minc confirmou ainda que o Brasil apresentará em Copenhague uma proposta de redução em 80% do desmatamento da Amazônia até o ano de 2020. A ideia é evitar a emissão de 4,8 bilhões de toneladas de gás carbônico, um dos principais responsáveis pelo efeito estufa.

Laryssa Borges
Redação Terra
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