E-mails de cientistas vazam e céticos do aquecimento dizem achar "provas"


Piratas virtuais tiveram acesso a pouco mais de mil e-mails trocados desde 1996 por alguns dos principais climatologistas ao redor do mundo e colocaram tudo na internet.

Céticos do aquecimento global dizem ter encontrado ali provas de que os cientistas falsificaram deliberadamente pesquisas. Os cientistas rebatem dizendo que os céticos estão vendo uma conspiração onde não há nada.

Os invasores conseguiram isso ao acessar os servidores da Universidade de East Anglia, na Inglaterra, que é um centro de referência em estudo do clima. A frase que vem causando mais confusão está em mensagem enviada por um professor de lá, o climatologista Phil Jones, a colegas nos EUA.

Ele dizia que tinha usado o mesmo "truque" que Michael Mann, geofísico da Universidade Estadual da Pensilvânia, para "esconder o declínio" em uma série de temperaturas.

No site Real Climate (www.realclimate.org), os cientistas escreveram para se defender. Dizem que usam "com frequência o termo truque para se referir a um bom jeito de lidar com um problema, e não para dizer que algo é secreto".

Sobre "esconder o declínio", eles dizem que Jones se referia a um problema científico específico --as medições do tamanho dos anéis das árvores-- e que escolheu mal as palavras.

Morreu!
As mensagens tinham caráter bastante pessoal. Por isso, é possível encontrar mensagens xingando céticos do clima ("idiotas") e até comemorando a morte de um deles (o australiano John Daly, em 2004).

Um climatologista (Ben Santer, do Laboratório Nacional Lawrence Livermore, nos EUA) diz que se encontrasse o cético do aquecimento global Pat Michaels (climatologista da Universidade de Virgínia) ficaria "tentado a bater" nele.

Circulou também uma montagem amadora de céticos do clima famosos em uma placa de gelo, dizendo que o aquecimento global é uma fraude.

Os autores dos e-mails não negam que eles sejam verdadeiros. Mas dizem que o fato de serem elegantes ou não em conversas pessoais não serve como crítica aos seus trabalhos.

"A gravidade não é uma teoria útil porque Newton era uma pessoa legal", dizem. (Notavelmente, Isaac Newton não foi um sujeito muito carismático.)

"É tentador apontar e dizer que as pessoas não deviam abrir tanto seus pensamentos. Mas quem ficaria feliz se seus e-mails virassem públicos?"

De qualquer forma, a maior parte das conversas não passa de discussões técnicas, que podem soar muito chatas para quem não é climatologista.

Houve controvérsia em torno de mensagens em que se debatia como divulgar ao público evidências de que o aquecimento global é causado por humanos. Eles discutiam a possibilidade de escolher modos de elaborar os trabalhos para que o aquecimento impressionasse. Mas nenhum e-mail mencionava manipulação de dados.

Folha de São Paulo
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