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Governo do Rio inicia obra de meio ambiente do Projeto Rio 2016

Ecoturismo & Sustentabilidade

Mais um projeto de meio ambiente ligado à candidatura do Rio de Janeiro à sede dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de 2016 teve início: as obras de recuperação e a revitalização do Canal do Fundão, localizado em uma área de passagem obrigatória para quem chega à cidade pelo Aeroporto Internacional Tom Jobim.

A obra, que vai durar dois anos, inclui a dragagem de 6,5 km de canais, facilitando a circulação de água, obras de urbanismo e saneamento e o reforço de pontes. Para a realização do projeto, foram feitos estudos do solo e análise dos sedimentos em 107 pontos da região. A camada contaminada com metais pesados passará por um processo de separação de areia. A água, completamente limpa, retornará para a Baía de Guanabara. “Esta obra complementa o trabalho voltado para a candidatura do Rio à sede dos Jogos Olímpicos de 2016. Além disso, vai melhorar a vida dos moradores. É um ganho geral”, afirmou o governador Sérgio Cabral.

Em janeiro, o Comitê de Candidatura Rio 2016 reforçou seu compromisso com o meio ambiente ao participar da inauguração da Estação de Tratamento de Esgotos Alegria, no Caju, realizada pela Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae). Esta é a obra mais importante do Programa de Despoluição da Baía de Guanabara, que no projeto dos Jogos Olímpicos Rio 2016 recebe as competições de vela.

Revista Ecoturismo

Complexo Petroquímico no Rio receberá US$ 8,3 bilhões em investimentos

Ecoturismo & Sustentabilidade

O Estado do Rio de Janeiro receberá investimentos de US$ 8,3 bilhões com a construção do Complexo Petroquímico, em Itaboraí, município situado a 40 minutos da cidade do Rio de Janeiro. Esses investimentos reforçam a importância do Estado do Rio de Janeiro na economia nacional e capacitam ainda mais a candidatura da cidade aos Jogos Olímpicos de 2016.

O Complexo Petroquímico será construído em uma área de 45 milhões de m². A expectativa é de que as obras gerem mais de 2 mil empregos diretos, em sua fase inicial, e outros 200 mil empregos no decorrer dos cinco anos de construção do Complexo Petroquímico. O Complexo produzirá resinas termoplásticas e combustíveis. Isso estimulará a instalação de indústrias de bens de consumo, cujas matérias primas básicas são os produtos petroquímicos. Outro objetivo é aumentar a produção nacional de produtos petroquímicos, com o processamento de cerca de 150 mil barris/dia de óleo pesado.

A previsão para o início de funcionamento de toda a estrutura é em 2012
O aspecto social do empreendimento já aparece em algumas ações da Petrobras, empresa responsável pelo complexo, que criou um programa de capacitação de mão-de-obra local, tanto para a construção do complexo, quanto para a fase operacional do projeto. A estatal espera capacitar 30 mil pessoas, em parceria com as prefeituras da região.

A questão ambiental também será preservada, já que o empreendimento não lançará resíduos na Baía de Guanabara. O complexo terá um equipamento de US$ 200 milhões para reduzir a poluição do ar. Além disso, milhões de árvores serão plantadas nas nascentes de dois rios.

Revista Ecoturismo

Prefeitura massifica a prática esportiva de olho nos Jogos Olímpicos Rio 2016

Ecoturismo & Sustentabilidade

O prefeito Eduardo Paes lançou o projeto “Rio Em Forma Olímpico”, com o objetivo de massificar o acesso ao esporte até os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de 2016.

O projeto, voltado para crianças de 6 a 16 anos, pretende incentivar a prática esportiva ampliando o número de vilas olímpicas e escolinhas. As crianças que se destacarem serão direcionadas para um treinamento específico. A meta é atender cerca de 30 mil jovens na primeira fase, com aulas três vezes por semana em 600 pontos da cidade. O investimento no projeto será de R$ 12 milhões. “Queremos mostrar que o esporte pode mudar a vida das pessoas. Agora, todos têm uma meta: os Jogos de 2016”, disse Eduardo Paes.

No próximo mês, o prefeito vai encaminhar à Câmara Municipal um conjunto de projetos de lei voltados para os Jogos Olímpicos de 2016, incluindo incentivos para a expansão da rede hoteleira.

Revista Ecoturismo

Rio de Janeiro terá Marco Olímpico dos Jogos de 2016

Ecoturismo & Sustentabilidade

O Rio de Janeiro ganhará um novo monumento para celebrar a escolha da cidade como sede dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de 2016. O prefeito Eduardo Paes anunciou que será realizado um concurso internacional para a criação do Marco Olímpico do Rio. A instalação vai representar o espírito olímpico e a paixão dos moradores da cidade pelo esporte.

O lançamento do concurso internacional foi no Palácio da Cidade e contou com a presença do secretário municipal de Urbanismo, Sérgio Dias; do secretário geral do Comitê Rio 2016, Carlos Roberto Osório; e da presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), Dayse Góis. “As decisões dos próximos meses serão as mais importantes, pois formarão as premissas para que se tenha o melhor legado possível para a cidade. Queremos potencializar os benefícios da escolha do Rio de Janeiro. O Marco Olímpico será um novo símbolo, um ícone da cidade olímpica”, disse Eduardo Paes.

O concurso será aberto a arquitetos do Brasil e do exterior e as obras do novo monumento devem começar em 2010. “Os arquitetos brasileiros estão muito felizes com a vitória do Rio. O IAB acompanhou a elaboração do Dossiê de Candidatura e sabe que esse projeto tem importância ímpar para a cidade. O Rio de Janeiro merece o melhor”, disse Dayse Góis.

Para Carlos Roberto Osório, o monumento vai marcar de maneira concreta a passagem dos Jogos Olímpicos pelo Rio de Janeiro. “O Marco Olímpico se tornará mais um ponto turístico da cidade e uma marca internacional do Rio de Janeiro. Ele vai simbolizar a união entre a cidade, o esporte e o Movimento Olímpico”, disse o secretário geral do Comitê Rio 2016.

Revista Ecoturismo

Cidade maravilhosa sediará Jogos Olímpicos de 2016

Ecoturismo & Sustentabilidade

O Rio de Janeiro será a sede dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de 2016. A decisão histórica de levar a maior competição esportiva do planeta para a América do Sul pela primeira vez foi anunciada pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) no dia 2 de outubro, durante a 121ª Assembléia da entidade, realizada em Copenhague, na Dinamarca. Na disputa, considerada a mais acirrada de todos os tempos, o Rio superou Chicago (Estados Unidos), Madri (Espanha) e Tóquio (Japão).

A vitória do Rio de Janeiro foi de goleada: 66 a 32 na rodada final contra Madri. Chicago foi eliminada na primeira rodada, com 18 votos (contra 28 de Madri, 26 do Rio e 22 de Tóquio). A candidata japonesa foi a segunda a sair da disputa, com 20 votos (contra 46 do Rio e 29 de Madri). O presidente do Comitê Rio 2016, Carlos Arthur Nuzman, agradeceu aos representantes dos três níveis de governo – o presidente Lula, o governador Sérgio Cabral e o prefeito Eduardo Paes. “O COI tomou uma decisão histórica. Tenho muito a agradecer. Mas não estou apenas orgulhoso dos representantes dos três níveis de governo. Estou emocionado de ver como eles entenderam o que estes Jogos Olímpicos representam para o Rio e para o Brasil”, disse Carlos Arthur Nuzman.

O presidente do COI, Jacques Rogge elogiou as quatro cidades finalistas e parabenizou o Rio de Janeiro. “Escolher entre quatro cidades excelentes é difícil, mas muito bonito. Quero dar parabéns ao Rio de Janeiro. A escolha traz uma mensagem clara. É importante levar os Jogos para a América do Sul pela primeira vez”, disse Rogge.

A decisão histórica levou às lágrimas o presidente Lula. E a atitude do presidente emocionou autoridades e jornalistas que participaram da coletiva realizada após a eleição. “Chorei na coletiva porque não tive coragem de chorar durante a apresentação. Já passei por tantas coisas, vi tantas personalidades e, de repente, eu era o mais emocionado. O ser humano precisa de desafios e o Brasil precisava desses Jogos Olímpicos. A gente só precisava de uma oportunidade para mostrar que somos uma grande nação. É o dia mais emocionante da minha vida. Sinto um orgulho ainda maior de ser brasileiro. O Rio merece. O Brasil merece. O povo brasileiro merece”, disse Lula.

Antes da votação, a candidatura do Rio de Janeiro emocionou os integrantes do COI na apresentação final. A paixão dos brasileiros pelo esporte e a alegria com que os cariocas recebem visitantes de todo o mundo foram traduzidas com trilha sonora, vídeos e discursos inspirados. O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, o governador Sérgio Cabral; o prefeito Eduardo Paes; o ex-presidente da Fifa e membro decano do COI, João Havelange, o presidente do Comitê Rio 2016, Carlos Arthur Nuzman; o secretário geral Carlos Roberto Osório; e a iatista Isabel Swan reforçaram os pilares dos Jogos Rio 2016 – excelência técnica, poder de transformar a cidade e o país, agregar valor ao Movimento Olímpico e proporcionar uma experiência única para todos os envolvidos.

Os Jogos Rio 2016 serão os Jogos Olímpicos da celebração da transformação. O evento aproveitará ao máximo a paisagem natural da cidade, a experiência em eventos de grande porte e a hospitalidade dos cariocas para organizar uma festa que empolgará o mundo inteiro. Além do legado de instalações esportivas e do programa de voluntários, o projeto Rio 2016 propõe iniciativas para desenvolver o esporte no Brasil, na América do Sul e no mundo. Para o Movimento Olímpico e Paraolímpico, será a porta para um continente novo e jovem, com 400 milhões de habitantes. “O mais importante foi que essa decisão colocou o Rio de Janeiro no lugar que merece, como uma cidade global, extraordinária, que encantará pessoas de todo o mundo. Foi uma decisão histórica e entregaremos o que o COI quer: jogos com emoção, paixão e celebração. O Movimento Olímpico decidiu mirar o futuro, apostar na juventude”, disse Carlos Roberto Osório, secretário geral da candidatura Rio 2016.

Os Jogos Rio 2016 serão um evento compacto e de excelência técnica. Esporte, cultura e educação estarão integradas com as atividades da cidade. Legados sociais e esportivos estão garantidos pelo trabalho conjunto com os três níveis de governo. Os Jogos Rio 2016 serão um catalisador do progresso esportivo e social para comunidades do Brasil e de todo o mundo.

Prefeitura lança site “Transparência Olímpica” para divulgar ações dos Jogos Rio 2016
As ações da Prefeitura para a organização dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos Rio 2016 poderão ser acompanhadas passo a passo no site Transparência Olímpica (www.transparenciaolimpica.com.br), lançado pelo prefeito Eduardo Paes.

No site estarão disponíveis as propostas do Rio de Janeiro para áreas como transporte, instalações esportivas e meio ambiente. Cada projeto relacionado com a Prefeitura terá uma descrição básica, o valor aplicado, e as previsões de início e término. “Este site mostra como a Prefeitura tratará as questões relacionadas com os Jogos Olímpicos de 2016. A população precisa ter o entendimento total do processo, sem informações truncadas. É assim que a prefeitura pretende trabalhar”, disse Eduardo Paes.

Revista Ecoturismo

Rio-2016; Uma chance de ouro

Ecoturismo & Sustentabilidade

PRIMEIRO é preciso dizer que a escolha do Rio para sediar a Olimpíada de 2016 foi fruto de um trabalho brilhante. Pura ficção, mas brilhante. Quem viu o Pan-2007 não tem por que acreditar em nenhuma das promessas feitas e sabe que aquela cidade maravilhosa que os filmes mostraram não existe.

É claro, porém, que pode existir. Bastará gastar o que está previsto, de fato, nela. Em segundo lugar, é preciso dizer com todas as letras e sem nenhuma ironia que nunca, jamais, o Brasil teve um presidente da República como Luiz Inácio Lula da Silva. Nunca, jamais e em tempo algum. Nenhum governo antes tirou tantos milhões de brasileiros da linha de pobreza, diferença maior dele em relação a todos os seus antecessores.

Porque, de fato, um presidente preocupado com os excluídos, coisa que os outros só conheceram na teoria, enquanto Lula foi um deles, na prática. E nenhum governo antes do dele conseguiu projetar tanto o Brasil internacionalmente, não à toa chamado de "o cara" pelo surpreendentemente derrotado poderoso presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. Sim, reitere-se aqui que a vitória carioca é a maior surpresa do colunista em quase 40 anos de exercício do jornalismo.

Mas Lula simplesmente não só trouxe os dois maiores eventos mundiais para o Brasil como, ainda por cima, se não fez da crise internacional apenas uma marolinha, tratou de impedir que fosse um tsunami por aqui. Bem ele, o único que não falava inglês na comitiva quase totalmente da elite branca que o país mandou para Copenhague. Fenômeno, sem dúvida, fabulosamente macunaímico, cercado por inúmeras histórias mal contadas, algumas que até envolvem assassinato, como a do prefeito de Santo André, Celso Daniel.

Desnecessário dizer que haverá roubalheira. Como haveria, já foi dito, também em Tóquio, em Chicago, em Madri e está havendo em Londres, que receberá a Olimpíada de 2012. Mas nós não vivemos nem nos Estados Unidos nem na Espanha nem no Japão. Nem na Inglaterra. E desnecessário dizer que fiscalizaremos -e descobriremos uns 10% das tramoias. Ainda mais em ano eleitoral, como 2010.

É difícil exercitar a esperança quando a experiência já ensinou o que precisava em relação aos que comandarão o projeto olímpico. Gente que fechou as portas aos maiores empresários do Rio de Janeiro e que fez questão de acumular cargos, como faz Carlos Arthur Nuzman, presidente do COB e do comitê organizador da Olimpíada.

Assim como, aliás, Ricardo Teixeira acumula os cargos de presidente da CBF e do comitê organizador da Copa do Mundo, diferentemente do que acontece e aconteceu em todas as outras partes do mundo, basta lembrar de Michel Platini, na Copa da França, ou de Franz Beckenbauer, na da Alemanha. Lula não gostava dessa gente e a colocou no topo do mundo. Sem se preocupar em ter uma política esportiva para o país. Se a Rio-2016 mudar tal estado de coisas, valerá a pena. A ver.

Juca Kfouri

Olimpíada-2016 tem a primeira rusga

Ecoturismo & Sustentabilidade

Um dia depois da escolha do Rio como sede da Olimpíada de 2016, o governo federal e o COB (Comitê Olímpico Brasileiro) já começaram a medir forças para comandar o ""projeto de potência olímpica"" do país.

Executivos do Ministério do Esporte e o presidente do COB, Carlos Arthur Nuzman, deixaram claro ontem que a disputa teve início nos bastidores. O governo federal até tem meta traçada: colocar o país entre os dez melhores em 2016. ""Ninguém sabe de nada. Vou estabelecer ainda como vamos trabalhar. Sei que tinha que ter um trunfo na mão [a conquista dos Jogos]. Agora, vamos discutir e pensar nisso até o final do ano", disse Nuzman, no final da tarde de ontem, pouco antes de embarcar para o Brasil.

Com três medalhas de ouro, quatro de prata e oito de bronze, a delegação brasileira fechou os Jogos de Pequim na 23ª posição. O número de 15 medalhas no total foi o maior que o Brasil já conseguiu em uma edição dos Jogos, empatado com a Olimpíada de Atlanta, em 1996. O maior número de ouros brasileiros, contudo, permanece sendo os cinco conquistados em Atenas, em 2004.

Como comparação, a Jamaica de Usain Bolt encerrou Pequim na 13º colocação.
Apesar de Nuzman ter falado abertamente que quer comandar o projeto, o ministério já adiantou que tem o seu plano. O projeto prevê uma participação estatal forte no financiamento e na formulação. Atualmente, o COB é que define e distribui os valores da verba da Lei Piva para as confederações de cada modalidade. O dinheiro, que sai de loterias, é disputado agora também pelos principais clubes formadores de atletas, que se associaram para defender a questão. Principal executivo da pasta na candidatura brasileira, Ricardo Leyser adiantou ontem que o governo já ""está formulando uma proposta para o esporte de alto rendimento".

A inspiração é o Instituto de Excelência do Esporte, da Austrália, mas foram estudados ainda modelos de Cuba, EUA e Alemanha. "Pretendemos fazer um laboratório de ciência do esporte no [parque aquático] Maria Lenk", disse Leyser. O governo quer ainda estimular estudos sobre esportes nas universidades, algo, no momento, muito incipiente. O presidente Lula falou ontem que o país tem que investir alto para formar boas equipes nos Jogos-2016. ""Quero que o Brasil seja uma potência na Olimpíada. Se o Brasil não ganhar a medalha de ouro no futebol, vou dar cascudos nos garotos [o título olímpico é o que falta à seleção no futebol]."

Haverá, diz o governo, muito mais dinheiro para ser investido no esporte de alto rendimento anualmente a partir de 2010. Há uma estimativa, mas o governo federal não revela qual é. Não foi fechado como será a forma desse dinheiro ser investido. Há a tendência de boa parte ser investida de forma direta, sem o COB como intermediário. Ainda falta um modelo.

Mesmo com as declarações de Leyser, Nuzman foi seco. ""Vou desautorizar qualquer um que falar sobre isso. No dia em que tivermos uma reunião com as federações, vamos falar sobre o assunto", disse o presidente do COB, que acredita que sete anos é prazo suficiente para melhorar a qualidade do esporte olímpico nacional.

""O projeto da medalha olímpica do vôlei começou em 1977, e o objetivo foi atingido em 1984", falou o dirigente, citando-se como exemplo -antes de assumir o COB, Nuzman comandou a Confederação Brasileira de Vôlei.

Folha de São Paulo

Erros do Pan deixaram lições para os Jogos de 2016

Ecoturismo & Sustentabilidade

O estouro de orçamento e os erros de planejamento dos Jogos Pan-Americanos de 2007 (veja quadro) não deverão se repetir na Olimpíada do Rio de Janeiro, em 2016. É o que afirmou o ministro do Esporte, Orlando Silva Jr., 38, em entrevista concedida ontem à Folha, após o desembarque em São Paulo. O ministro acena com o investimento do governo federal para a construção de novas instalações olímpicas na capital fluminense, mas continua a negar que vá auxiliar na construção de estádios para a Copa do Mundo, que acontecerá dois anos antes.


FOLHA - A forma como a candidatura da Rio-2016 foi apresentada foi o segredo do sucesso?

ORLANDO SILVA JR. - Foi uma apresentação perfeita. Tudo que nós tínhamos projetado aconteceu. Mas na minha opinião ganhamos no processo inteiro. A nossa presença em Pequim, durante a Olimpíada, com o presidente Lula fazendo uma agenda forte, também teve um impacto muito forte. As garantias governamentais foram muito sólidas. Além disso, você percebia na conversa com os eleitores como era bem recebido o argumento dos Jogos inéditos na América do Sul.


FOLHA - Qual foi a importância do presidente Lula neste processo eleitoral da Rio-2016?

SILVA JR. - Definitivamente, o presidente Lula foi a peça-chave. Durante o dia e meio que ficou em Copenhague, ele teve contato direto com pelo menos uns 30 eleitores. Isso eu não tenho a menor dúvida de que teve um impacto decisivo na definição da vitória do Rio de Janeiro.


FOLHA - Quais são as principais diferenças entre as campanhas para receber a Olimpíada de 2012 e a de 2016? Foi o apoio do governo?

SILVA JR. - Primeiro mudou o Brasil. Se você olhar o Brasil de quatro anos atrás e o país de hoje, vai notar uma mudança substantiva. Uma mudança que é perceptível não só por nós, mas também pela comunidade internacional. O projeto [da Rio-2016] é muitas vezes superior do ponto de vista técnico [em comparação ao de 2012].


FOLHA - O governo federal vai ajudar no financiamento das instalações olímpicas?

SILVA JR. - O projeto dos Jogos Olímpicos prevê a participação nossa na construção dos equipamentos esportivos, nas arenas, nos estádios.


FOLHA - Quanto deve ser gasto para a Olimpíada?

SILVA JR. - O orçamento total é de R$ 28,8 bilhões.


FOLHA - O senhor teme que aconteça um estouro do orçamento, como no Pan-Americano?

SILVA JR. - O Pan-Americano deixou algumas lições. E uma lição central é a de que é necessário planejar detalhadamente cada ação para a realização de um grande evento. Esse orçamento nosso, inclusive, incorporou tudo que é necessário para entregar a cidade pronta para os Jogos Olímpicos. Há investimentos de infraestrutura que já estão em curso. São obras de melhorias de aeroportos, melhoria de portos, obras de saneamento, obras ligadas às questões ambientais. Ou seja, não temo que aconteça o mesmo problema do Pan.


FOLHA - Por que existiram esses problemas no Pan-Americano?

SILVA JR. - No Pan as dificuldades de orçamento se deram porque uma série de itens não era prevista. É o exemplo que dou da segurança. A segurança para o Pan, na proposta original, era patrimonial das instalações esportivas e não se imaginava como fazer um evento sem ter um esquema especial de segurança. Então, esse planejamento mais forte, mais consistente, é que vai dar segurança à sociedade brasileira. Imprensa e órgãos de controle podem acompanhar muito mais claramente as iniciativas em relação aos Jogos.


FOLHA - O ministério pretende estreitar relações com as confederações das modalidades olímpicas?

SILVA JR. - Acredito que nós vamos ter que zerar o jogo na relação do governo com as entidades de esportes olímpicos. Rever todos os conceitos. É evidente que o esporte brasileiro não vai começar ou terminar em 2016. Mas é uma plataforma única que nós temos para fazer grande promoção do esporte nacional.


FOLHA - O que fazer de efetivo para difundir modalidades menos conhecidas no país?

SILVA JR. - Ontem [anteontem] tive uma conversa com o presidente Lula e com o presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Carlos Arthur Nuzman. E lá nós definimos, e o Nuzman ficou de acordo, que é preciso fazer um esforço extraordinário pensando em 2016 e daí para frente. Só que eu não posso detalhar agora, antes de fazer uma construção coletiva. Mas é um tema que foi pautado pelo presidente da República, que eu tenho insistido há algum tempo. É preciso estabelecer um sistema de metas.


FOLHA - Quais metas já foram estabelecidas?

SILVA JR. - Uma meta imediata e que nós temos de acelerar ao máximo é pôr para funcionar o Centro Olímpico de Treinamento, que é um compromisso da candidatura, que vai se basear a partir das instalações existentes na Barra [da Tijuca, na Zona Sul, do Rio de Janeiro].


FOLHA - Há verbas disponíveis para o esporte brasileiro?

SILVA JR. - No esporte brasileiro, houve um tempo em que o problema gravíssimo era a completa falta de recursos. Hoje, no alto rendimento, num nível de seleções nacionais, há recursos de um lado. De outro lado aprovamos a lei de incentivo ao esporte, que abre também uma oportunidade para a captação de recursos. Hoje, acredito que temos de valorizar muito o tema gestão. É preciso trabalhar mais a gestão, ampliar o profissionalismo. Até discutir certos dogmas. Por que no Brasil é assim, um dirigente esportivo não é profissional? Não pode receber salário? Será que isso corresponde à realidade? Melhor estabelecer um sistema profissional de gestão. Até para você cobrar cada vez mais pelos resultados.


FOLHA - Existem reclamações de algumas confederações do valor repassado pela Lei Piva. O senhor estuda um aumento desta verba?

SILVA JR. - Desde que o presidente Lula assumiu nós temos ampliado sistematicamente os recursos para o esporte. Hoje, todas as empresas estatais patrocinam alguma modalidade.

FOLHA - Mas o senhor é favorável ao aumento do repasse da verba oriunda da Lei Piva?
SILVA JR. - Não seria favorável a aumentar o percentual [de 2% da verba oriunda das loterias], além do que já está na mesa de debate, que é um percentual [0,5%] que seria repassado ao Conselho de Clubes Formadores de Atletas Olímpicos (Confao). Mais prejudica a loteria e pode ser um tiro no pé.


FOLHA - O senhor teme que sejam criados "elefantes brancos" com os Jogos Olímpicos?

SILVA JR. - É preciso ter inteligência na preparação dos Jogos Olímpicos. Inclusive é necessário trabalhar o legado, paralelamente à ação da Olimpíada, porque não dá para esperar 2016 para pensar o que será feito com as instalações. Em alguma medida, foi um outro erro do Pan. Diria que é preciso ter inteligência no trabalho destas instalações levando-se em conta a utilização social.


FOLHA - O quanto é prejudicial ou favorável a realização da Copa dois anos antes da Olimpíada do Rio?

SILVA JR. - O COI entendeu a nossa mensagem que a Copa do Mundo é um certificado de garantia que o Brasil dá de que muitos desafios do Rio de Janeiro serão superados. Porque nós temos que ter o aeroporto internacional Tom Jobim novinho em folha funcionando com capacidade de operação adequada já em 2014.


FOLHA - O governo não vai financiar nenhum estádio para a Copa?

SILVA JR. - O orçamento do governo federal, do Tesouro, não tem previsão de recursos para a construção ou reforma de estádios para a Copa do Mundo. Muitas cidades nos procuraram para falar das dificuldades, da crise internacional e que parceiros privados recuaram. E o que ficou pautado por nós foi estruturar algum modelo de financiamento. Estimulamos o BNDES a estruturar esse modelo de financiamento.


FOLHA - Uma dívida do governo estadual com o BNDES não pode se transformar em uma dívida do governo federal?

SILVA JR. - Não, porque o governo do Estado tem as suas fontes de receita, faz as suas opções de investimento. É um gasto autônomo, um gasto definido por um ente que tem autonomia.


FOLHA - Quais são as dificuldades para receber a Olimpíada?

SILVA JR. - Tem o desafio imediato de um compromisso firmado com o COI que é constituir uma autoridade pública olímpica. Criar uma instituição que vai reunir os três níveis de governo. Nunca existiu isso no Brasil. Nós temos defendido a criação na forma de um consórcio público, com a participação do Estado e da cidade do Rio de Janeiro e da União Federal, que vai ter a atribuição de entregar todas as obras, as instalações e os serviços para o COI. Seguindo um pouco o modelo estabelecido em Londres.


FOLHA - O senhor não acha que foi gerado um ufanismo exacerbado com a escolha do Brasil para sede da Olimpíada e da Copa?

SILVA JR. - Não, não acho. Penso que o governo tem que agir consciente dos desafios que tem em suas mãos.


FOLHA - O senhor acha que o Brasil pode ser visto no cenário internacional de outra maneira com a realização destes eventos?

SILVA JR. - A Copa e a Olimpíada são duas grandes plataformas de promoção. Então o novo Brasil vai aparecer para o mundo, com a Copa e a Olimpíada. O Lula já ocupa um espaço importantíssimo pela sua liderança e carisma. Mas essa agenda, tenho certeza, vai elevar o patamar de projeção do país. Talvez seja a plataforma de lançamento do Brasil para o século 21.


FOLHA - O senhor vai deixar o ministério para se candidatar nas próximas eleições?

SILVA JR. - O meu partido [PC do B] pediu que eu me preparasse para ser candidato, só que esse é um assunto que não está definido ainda. Até avisei o presidente Lula, que pediu para a gente conversar depois que ele voltasse da Europa.


José Eduardo Martins
Folha de São Paulo

O nosso Misha

Ecoturismo & Sustentabilidade

Os que já rondam a casa dos 40 devem se lembrar do urso Misha, o mais simpático dos mascotes da história olímpica. Ganhou o mundo em 1980, em Moscou, e foi eternizado na imagem em que aparecia vertendo lágrimas de adeus, na coreografia de encerramento dos jogos, no estádio Lênin.

Sim, eram outros tempos, ainda existia comunismo e Guerra Fria. Os EUA lideraram o boicote de 61 países à festa em solo soviético. Mas Misha sobreviveu ao regime caduco cuja grandeza deveria simbolizar. Por ironia, o sucesso fez do ursinho comunista um precursor do consumo associado aos eventos esportivos, um ícone de vanguarda da colonização do esporte pelo dinheiro. Hoje, a fofura estaria sendo disputada a tapa pelas marcas globais.

Lula é o Misha dos novos tempos. A comunidade internacional está encantada com seu mascote. Quando o mundo capitalista busca um rosto humano, Lula lhe oferece um espelho possível. A imagem guarda relação tênue com a vida real no país, mas quem se importa?

A elite financeira aplaude nossas políticas comportadas. E Lula retribui com o show da informalidade brasileira, uma vantagem comparativa. Sim, somos confiáveis. Mas também sentimentais e efusivos. Choramos espontaneamente, sem truques coreográficos. E debochamos do nosso próprio êxito: "Yes, we créu!". Não há quem resista.

Ao longo do período de declínio histórico do Rio, o país cultivou uma certa "poesia da favela", procurando transformar tragédia social em atração turística. O excesso de pó, munição pesada e balas perdidas turvou essa aquarela.

Lula agora promete converter os morros cariocas em bairros, com casas de alvenaria. Oxalá! E drogas, como diz a canção, só se compravam na drogaria...

Veremos, daqui em diante, tomar corpo a versão olímpica do mito nativo do futebol como veículo mágico de ascensão social.

Sob os braços abertos do Cristo Redentor, só o esporte salva.

Fernando de Barros e Silva
Folha de São Paulo

Nuzman festeja vitória política

Ecoturismo & Sustentabilidade

O presidente da Rio-2016, Carlos Arthur Nuzman, classificou ontem a conquista dos Jogos de 2016 como a ""principal vitória política do esporte brasileiro" e fez questão de lembrar que venceu pela segunda vez ""um presidente dos EUA".

Com o triunfo ontem, em Copenhague, o dirigente se aproxima ainda mais de Lula e rivaliza com o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, na disputa pelo posto de principal dirigente do esporte nacional. Os dois conseguiram os principais eventos das suas confederações para o país (a Copa do Mundo e a Olimpíada) e aspiram chegar ao poder nas suas entidades internacionais. Nuzman era um dos mais eufóricos após o anúncio oficial do resultado da eleição do COI (Comitê Olímpico Internacional) e comemorou a vitória durante toda a noite de ontem. ""Foi a maior aventura que o esporte brasileiro fez", disse.

""Foi a maior vitória política do esporte brasileiro e da América do Sul. Nada foi tão difícil, mas conseguimos. Ganhamos de países importantes, EUA, Espanha e Japão", completou o dirigente, logo após deixar o salão do Bella Center, palco da eleição da sede olímpica. Nuzman deixou o salão principal do centro de convenções liderando a delegação brasileira. Ao lado do presidente Lula e do escritor Paulo Coelho, ele puxou a cantoria. Todas passaram pela área reservada aos jornalistas cantando ""Cidade Maravilhosa", música que foi repetida várias vezes por integrantes da delegação brasileira.

Antes de fazer a apresentação final, o grupo havia cantado o hino informal da cidade. A vitória sobre Chicago teve um sabor especial para o também presidente do COB (Comitê Olímpico Brasileiro). ""Eu tenho esse grande trunfo de ganhar do presidente [George W.] Bush e do [Barack] Obama. Venci duas vezes os presidentes dos EUA. Dá para fazer um quadro", afirmou Nuzman.

Em 2002, o Rio derrotou San Antonio, cidade do Texas, Estado que é dominado pela família Bush, na disputa para realizar o Pan de 2007. Agora, o Rio ganhou de Chicago, cidade que é base eleitoral de Obama. O presidente Lula fez questão de agradecer a Nuzman pela vitória carioca. Ele elogiou o trabalho do presidente da Rio- -2016 várias vezes e afirmou que a emoção da vitória na Dinamarca era inesquecível.

O ministro do Esporte, Orlando Silva Jr., fez coro ao presidente. ""O Nuzman fez muito bem o trabalho dele. Agora, vai ter uma grande tarefa na carreira, que é organizar os Jogos de 2016, e pode desejar o que quiser depois disso", disse o ministro, referindo-se a uma suposta candidatura de Nuzman ao COI depois dos Jogos.

Na festa realizada na noite de ontem, em Copenhague, o ministro deu o fictício ""troféu Fidel Castro" para Nuzman após o dirigente interromper a música e discursar por cerca de dez minutos dentro do salão principal do hotel SKT Petri. No discurso, ele agradeceu a todos os envolvidos na candidatura e a Lula. ""Nada disso seria possível sem o presidente", afirmou, acrescentando que Lula trabalha no projeto do país ""há dois anos", desde o fim do Pan-07.

Folha de São Paulo

COI capitaliza Olimpíada inédita no Rio-2016

Ecoturismo & Sustentabilidade

A disputa travada nos bastidores entre a antiga e a atual cúpula do COI (Comitê Olímpico Internacional) deu ao Rio a vitória histórica. Com o apoio velado do presidente da entidade, Jacques Rogge, a candidatura brasileira conseguiu deixar um legado para o mandado do dirigente belga: realizar os Jogos Olímpicos na América do Sul, algo inédito até então.

A disputa final entre Rio e Madri expôs publicamente a divergência dos dois grupos que existe dentro do COI. O mais forte comandado por Rogge, que será reeleito na próxima semana. Já o outro é liderado pelos dirigentes leais ao espanhol Juan Antonio Samaranch, presidente de honra da entidade, que deixou o poder em 2000 após uma série de escândalos de corrupção no COI. O filho de Samaranch era um dos comandantes da campanha de Madri.

""A escolha do Rio foi um sinal claro que o COI deu. Todos falam dos nossos problemas, mas mostramos o outro lado da moeda. Com o apoio da grande maioria, estamos redesenhando uma nova geografia no esporte olímpico mundial ao fazer essa escolha aqui na Dinamarca. Entramos para a história", disse o italiano Mario Pescanti, aliado de Rogge e cotado como o primeiro na linha de sucessão do belga em 2013.

O resultado da eleição mostrou a força do grupo de Rogge. O Rio venceu por 66 votos contra apenas 32 de Madri. A vitória da candidatura ocorreu depois de duas tentativas frustradas. A cidade já havia sido candidata aos Jogos de 2004 e de 2012. Apesar da diplomacia pontuar o mundo olímpico, gestos e pequenas atitudes de Rogge na campanha tiveram impacto nos bastidores da eleição de ontem. Mesmo sem manifestar seu apoio oficial a Rio-2016, o belga já havia dado demonstrações em favor do projeto do Brasil desde 2007, quando aprovou a capacidade de organização dos brasileiros no Pan.

Desde então, ele é apenas elogios aos brasileiros. Rogge chegou até a mudar o seu discurso com relação à Copa do Mundo. Antes reticente à realização da principal competição do futebol mundial no país dois anos antes da Olimpíada, o presidente do COI se pronunciou oficialmente em favor da organização dos eventos no Brasil em intervalo de dois anos.

Segundo dirigentes do COI, o relatório da entidade mostrou a força de Rogge ao projeto brasileiro. Lanterna na primeira avaliação do COI, há mais de um ano, o Rio igualou-se aos concorrentes na segunda.

Rogge manteve as declarações diplomáticas após a vitória do Rio. ""Foi a escolha de ir para um novo continente."

Folha de São Paulo

Obama parabeniza Lula antes do anúncio oficial

Ecoturismo & Sustentabilidade

Uma certeza da vitória levou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a retornar ao Bella Center pouco antes do anúncio da cidade-sede dos Jogos-2016. Pela programação, ele ficaria no Hotel Nimb para acompanha o resultado e só voltaria ao centro de convenções caso fosse confirmado o triunfo do Rio.

Mas, quando Tóquio foi eliminada e restaram Madri e a cidade brasileira, Lula teve certeza de que a candidatura seria vitoriosa. Por isso, avisou ao COI que retornaria para assistir ao resultado no Bella Center.A Folha apurou ainda que o presidente recebeu um telefone de Barack Obama. A bordo do Air Force One, já no voo de volta para os EUA e ciente da eliminação de Chicago, o presidente americano ligou para Lula para dizer "vocês ganharam".

Oficialmente, a assessoria da presidência explicou que a decisão foi por conta da presença do rei espanhol Juan Carlos no auditório em que seria o anúncio. O mandatário brasileiro não queria deixá-lo sozinho. Mas, de fato, Lula e seus subordinados fizeram uma avaliação política da situação quando o Rio virou finalista. Em sua análise, Madri não obteria os votos europeus porque países como França e Itália não iriam querer eleger um país do mesmo continente, contou um membro do estafe presidencial. Afinal, são candidatos aos Jogos-2020. Uma segunda Olimpíada seguida na Europa acabaria com seus planos para a próxima disputa.

Os europeus tinham 45 votos no pleito. Boa parte deles seria perdida por Madri. Após a eliminação de Chicago e Tóquio, era natural que América e Ásia passassem a apoiar em peso a candidatura do Rio. Assim, Lula entendeu que não tinha mais como o Rio perder a eleição. A análise do presidente e de sua equipe estava correta e foi corroborada pela larga vantagem sobre Madri (66 a 32).

Membros do COI confirmaram sua posição ao identificar a cidade brasileira como favorita, desde o início da disputa, pelo ineditismo da realização dos Jogos na América do Sul. "O Rio de Janeiro sempre foi a cidade. A vitória sempre esteve ao seu lado", afirmou o membro do COI Kevin Gosper.

Lula compreendeu o sistema de votação do COI em abril, quando recebeu de membros da Rio-2016 instruções sobre o processo. Desde então, procurou faze alianças e lobby pelo mundo. Na véspera da eleição, participou de 20 audiências com o objetivo de tranquilizar membros do comitê sobre a capacidade financeira do país. Ao ajudar o Rio a ganhar a eleição, Lula acredita ter conseguido traçar novo aspecto do mapa do mundo. "Eu estive no G20, em Pittsburgh, onde o novo mundo econômico foi desenhado por consenso. O mapa reconhece a importância de países emergentes, como o Brasil, para o cenário mundial e em especial para superar a crise do mundo", afirmou, em seu discurso na apresentação do Rio aos delegados do COI.

Lula pode ter razão ou não sobre a política externa. Mas mostrou que ainda entende de eleição.

Luciana Coelho, Rodrigo Mattos e Sérgio Rangel
Folha de São Paulo

EUA sofrem 2º vexame seguido

Ecoturismo & Sustentabilidade

Havia o poder econômico dos EUA no mundo olímpico. Havia a força geopolítica americana de aliados pelo planeta. E ainda havia o presidente Barack Obama em Copenhague.

Nada disso foi suficiente para que a cidade de Illinois ultrapassasse o primeiro turno da eleição para a sede da Olimpíada de 2016. "O primeiro turno é imprevisível", disse, resignado, o chefe da candidatura de Chicago, Patrick Ryan.

A surpresa pôde ser demonstrada pela retirada rápida da delegação americana da sala de imprensa, após o anúncio da eliminação. Só foram 18 votos, quatro a menos que Tóquio, na segunda demonstração seguida de que os EUA, que na parte esportiva ficou atrás da China nos Jogos de Pequim-08, não têm mais o mesmo poder no COI. Na eleição final para os Jogos de 2012, a ainda mais poderosa Nova York foi só a quarta colocada entre as cinco candidatas.

Não é sem motivo. O poderoso Usoc, o comitê olímpico americano, trava batalha com os europeus e o COI pela distribuição do dinheiro gerado pela Olimpíada. E, num colégio eleitoral dominado por europeus, isso foi decisivo. Mas Obama também saiu chamuscado.

Todos os membros do comitê internacional foram questionados sobre a influência do presidente. Após a derrota, foi apontada a possibilidade de sua passagem curta por Copenhague -fez apenas sua apresentação e foi embora- ter sido mal recebida pelos delegados olímpicos.

Curta e esquemática, a esperada participação do líder dos EUA não surtiu grande efeito. A passagem do americano por Copenhague acabou lhe rendendo críticas dentro do país, por viajar em um momento que exige dele atenção em casa com a política doméstica e a externa, e fora, por ter ficado menos de cinco horas na capital dinamarquesa. Orador aclamado, o presidente fez um discurso contundente. Insistiu no multilateralismo e disse que quer fazer os EUA liderarem o momento pelo qual o mundo passa.

Ainda evocou sua ligação com Chicago. Antes de chegar por lá, disse que não sentia pertencer "a nenhuma cidade ou cultura até chegar a Chicago e começar a trabalhar com comunidades locais". Sua mulher, Michelle, foi um pouco melhor ao despertar empatia. Usou a doença do pai para mostrar sua ligação com o esporte olímpico.

Na sessão de perguntas, Obama ainda teve que encarar uma questão sobre "a experiência assustadora" que os visitantes estrangeiros enfrentam nos EUA. Foi o delegado do COI Syed Ali, paquistanês, que o interrogou sobre o tema. Mas a apresentação de Chicago foi considerada boa, pelo menos pelo australiano do COI Kevan Gosper. "Não podemos tirar os méritos do Rio e de Madri. Acho que Chicago merecia melhor sorte", afirmou.

Cercado por um batalhão de repórteres americanos surpresos, Patrick Ryan também teve dificuldades para explicar a derrota. Mas isentou Obama. "Ele foi extremamente bem-recebido", declarou, antes de ser levado cercado por seguranças.

Luciana Coelho, Rodrigo Mattos e Sérgio Rangel
Folha de São Paulo

Investimento em jovens lidera pedidos

Ecoturismo & Sustentabilidade

Os Jogos-16 devem ser a fagulha a impulsionar a promoção do esporte de base, pedem desportistas, clubes formadores de atletas, confederações esportivas nacionais, federações estaduais e o Conselho Nacional de Educação Física.

""A educação física por si só não pode ser responsabilizada pela construção de uma base, mas passa por ela", argumenta Jorge Steinhilber, do Conselho Nacional de Educação Física. ""Formar a base é responsabilidade de clubes e federações. Mas sem um trabalho na educação física, o jovem nem olhará nessa direção", diz Steinhilber. ""É preciso um plano integrado entre os ministérios da Educação, Saúde e Esporte." O sentimento de Steinhilber encontra eco entre dirigentes.

""O ideal seria o ministério [do Esporte] fazer algo para atrair jovens [para o esporte], implantar o esporte na escola. Mas podemos procurar alternativas. De repente, a gente faz parcerias com prefeituras", argumenta o presidente da Confederação Brasileira de Atletismo, Roberto Gesta de Melo.

""Fazemos o possível para atingir o alto nível. Mas a base é pequena, tem de ser uma ação de governo, ter uma política nacional de esporte", reivindica José Antonio Martins, da Federação Paulista de Atletismo.

""É preciso investir forte na formação de atletas que competirão nos Jogos-16", argumenta a ginasta Jade Barbosa.

Membros do Conselho de Clubes Formadores de Atletas Olímpicos cobram o mesmo. ""Tenho visto grandes planos de investimento para estrutura física, mas não vi nenhum para preparação de atleta. Não podemos dar vexame", diz Sergio Bruno Coelho, presidente do Conselho de Clubes Formadores de Atletas Olímpicos.

A ideia de fazer algo nos moldes de Londres, que receberá os Jogos de 2012, de incrementar a educação física, chegou a ser discutida no ministério do Esporte, segundo a Folha apurou, mas não ganhou corpo.

A pasta alega que as iniciativas de fomento nas escolas têm de ser tratadas diretamente pelas prefeituras e pelos Estados.

""É preciso ter a conscientização. Em muitas escolas não há espaço para a prática do esporte, até por conta de quem deveria zelar por ele", diz Ricardo Leyser, secretário de alto rendimento do ministério. ""Tem enchente e há muita gente desalojada? Leva para o ginásio da escola. Não tem lugar para dar aula? Leva para o ginásio. É o que frequentemente ocorre."

A Olimpíada, para o governo federal, servirá de catalisador para série de ações que beneficiarão o esporte e que poderiam levar mais tempo, ou ser menos sofisticados caso o Rio não tivesse ganhado a disputa.

O ministério do Esporte aponta que o programa Segundo Tempo, que hoje beneficia cerca de 100 mil jovens em idade escolar no Rio, passará a contemplar todos os elegíveis (cerca de 1 milhão de crianças).

Um instituto gestor de centros de treinamento do país operará no Rio. A Agência Nacional Antidoping terá impulso. ""Isso ganhará velocidade agora", afirma Leyser.

Eduardo Ohata e José Eduardo Martins
Folha de São Paulo

Gente GRANDE - Rio 2016

Ecoturismo & Sustentabilidade

- Rio supera Madri, Tóquio e Chicago e sediará Jogos de 2016

- Em decisão histórica, COI dá a Olimpíada para a América do Sul

- Com vitória, Brasil vira país de primeira classe, afirma Lula

Demorou cerca de dez minutos a votação do COI (Comitê Olímpico Internacional) que tornou o Rio de Janeiro sede dos Jogos de 2016. Demorou 17 anos para o Brasil concretizar o sonho olímpico. Demorou 113 anos para a América do Sul ter direito a receber o maior evento multiesportivo do planeta.

Por 66 a 32, o Rio bateu Madri no último turno de votação. Chicago foi surpreendentemente eliminada na primeira rodada, e Tóquio, na segunda. Os Jogos Olímpicos no Brasil acontecerão de 5 a 21 de agosto.

A decisão tornará o Brasil o centro esportivo mundial na próxima década: a Copa de 2014 já estava garantida.

Isso ocorre num momento em que o país obtém avanços na economia e cresce na política externa. Emocionado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou o enterro do complexo de vira-latas no país.

"Por sermos um país colonizado, a gente tem mania de pensar pequeno. Hoje, o Brasil conquistou a cidadania internacional. Quebramos o último preconceito. Provamos que temos competência para fazer a Olimpíada. Saímos do patamar de segunda classe para primeira. Respeito é bom. Nós damos, mas gostamos de receber."

Ao deixar de pensar pequeno, o Brasil terá de gastar só nos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos pelo menos US$ 14,3 bilhões (R$ 25,9 bilhões), orçamento inicial do projeto, o maior entre as concorrentes.A maior parte será da União.

O Brasil ainda teve que dar garantias financeiras estatais ao COI e mostrar que seu crescimento sustentará os Jogos.

Foi o único dos quatro países a levar o seu presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, ao COI. Foi ainda o país que mais investiu em consultorias para elaborar um dossiê. "O Rio foi humilde e aprendeu quando perdeu para 2012. Agora, ganhou", disse o presidente do COI, Jacques Rogge.

Naquele processo, a cidade brasileira foi eliminada ainda pelo primeiro relatório técnico. Sobre sua desclassificação em 2005, o presidente da Rio-2016, Carlos Arthur Nuzman, contou que foi procurar o dirigente máximo do comitê no dia seguinte para pedir conselhos.

"Agradeci, porque realmente não estávamos preparados", reconheceu Nuzman, que ganha status no mundo olímpico e político. O Brasil já tinha perdido três candidaturas aos Jogos -a primeira em 1992, com Brasília, que nem mesmo chegou a ser avaliada pelo COI.

Esse aspecto técnico foi acompanhado de negociação política do presidente Lula e de Nuzman em áreas de influência do governo brasileiro, como a África e América Latina.

Aos membros do COI foi pedida a primeira Olimpíada na América do Sul. O argumento, a transformação do país. Primeiros efeitos: já amainou um trauma, mudou um discurso.

Luciana Celho, Sérgio Rangel e Rodrigo Mattos
Folha de São Paulo

As lágrimas de Lula, Serginho e Dudu

Ecoturismo & Sustentabilidade

A cidade parou, o Rio ganhou, a palavra emoção foi pronunciada à exaustão, e são várias as pessoas que se acham as responsáveis pela nossa vitória para sediar a Olimpíada de 2016. Afinal, quem foi o brasileiro que deu sorte à cidade?

Lula acha que foi ele, claro, mas não é o único. Temos também Serginho, o governador, e Dudu, o prefeito, todos achando que foi a emoção -olha ela aí de novo-, o coração e a garra dos brasileiros (depois das deles, claro) que contribuíram para o resultado em Copenhague. E por falar nisso, será que o prefeito e o governador não poderiam ter comprado duas passagens para não fazer o vexame de pedir o avião de um empresário emprestado? Em Brasília, se uma autoridade pega uma carona num jatinho, já dá CPI.

A comemoração pode e vai durar todo o fim de semana, claro; mas, a partir de segunda- -feira, nossos governantes têm que pensar em outra coisa além da Olimpíada. Não é porque ganhamos que vamos nos esquecer dos problemas que continuam atormentando os cariocas, como bem disseram os espanhóis, apesar de não deverem. E não são os sorrisos de felicidade dos comentaristas de televisão que vão nos fazer esquecer de nossas mazelas.

Pensem bem: a que vão se dedicar nosso governador e nosso prefeito quando chegarem ao Rio, além da Olimpíada? À reeleição, é claro, para estarem nos lugares de honra em 2016 e serem admirados pelo mundo.

Mas é um perigo o excesso de ufanismo, o excesso de nacionalismo; nenhum país foi mais nacionalista do que a Alemanha, nos anos 30.

Vamos amar nosso país, se possível até aprender a letra inteira do Hino Nacional, mas convenhamos: dizer, ao saber do resultado em Copenhague, que poderia morrer naquela hora, de tanta felicidade, foi um certo exagero. Um enorme exagero, eu diria.

E, como logo que nossas autoridades voltarem começarão os preparativos para 2016 -serão vários bilhões de investimento- e o Rio vai virar um canteiro de obras, uma séria e permanente fiscalização será fundamental para que não se repita o que aconteceu com as obras do Pan e da Cidade da Música, isto é: o orçamento triplicar. O prefeito Eduardo Paes, que é cria de Cesar Maia, deve se lembrar disso.

O Rio ganhou, estamos todos felizes, tendo um novo Carnaval em outubro, ano que vem tem Copa do Mundo, eleições, o país não poderia estar mais animado; mas chega de tanta emoção -está aí a emoção de novo- e de tantas lágrimas. É muito bom ganhar, mas é bom lembrar que se trata apenas de uma Olimpíada.

E lembrar que, depois da Olimpíada, a vida continua.

Danuza Leão
Folha de São Paulo

Em 2016, seremos todos meninos

Ecoturismo & Sustentabilidade

Talvez o cavalo não passe tão bem encilhado para o Rio desde que dom João acercou-se da baía de Guanabara e desembarcou do navio Príncipe Real pouco mais de dois séculos atrás.

Na conquista épica para acolher os Jogos de 2016, confirma-se que nem todo lugar-comum é impróprio: abre-se hoje uma "chance de ouro" para a cidade, às vésperas do cinquentenário do batismo da decadência -a inauguração de Brasília, com o fim da condição carioca de capital da República.

Cavalo encilhado não se desperdiça. Da próxima, o bicho periga aparecer com sela frouxa e derrubar o montador.

O Rio -é chato ser gostoso- tem petróleo no pré-sal e sobre ele; estádio para, sorry periferia, sediar mais uma decisão da Copa; e encantos que, c'est la vie, só Paris consegue encarar. Sua coleção de infortúnios é tamanha que a desgraça não ofusca -mas ressalta o brilho- a oportunidade luminosa que emerge com o feito de ontem.

O aparato de segurança, o sistema de transportes e intervenções urbanas que a Olimpíada exige aprimorar podem gerar heranças de impacto histórico para os cidadãos, especialmente para os mais pobres.

O verbo é este mesmo, "poder". Montréal afundou em 1976. Barcelona, contudo, apoiou-se em 1992 para firmar a vocação de centro cosmopolita que o futuro consagrou.

Por que condenar, como maldição atávica, o Rio ao insucesso canadense e não à inspiração catalã? Se os desenganos do Pan-2007 impedissem a Rio- -2016 bem-sucedida, então seria melhor não pavimentar estradas e erguer escolas, já que muito larápio se locupletou com essas obras públicas.

A delinquência velha não deve descartar o desafio novo, mas estimular que se afie o controle contra gatunos e arrivistas que hão de se multiplicar.

Se o Rio metaforiza o Brasil, a vitória para 2016 desenha um projeto de nação que se dá ao direito de pensar grande.

Os Jogos constituem o impulso que faltava para, mais do que se transformar em potência olímpica, o país vitaminar o esporte como instrumento de educação e inclusão social. Revisitando a tirada rodriguiana que de tão repetida exauriu-se, basta de "complexo de vira-latas". O Brasil não nasceu para a segunda divisão.

Com todas as limitações e contradições do consórcio de políticos e cartolas que se associaram na missão Rio-2016, o triunfo da candidatura patrocinada por Lula sobre a apadrinhada por Obama configura uma façanha notável. Perto disso, qual a importância de um investimento grande? Os amigos se perguntam quantos anos terão eles e os filhos em 2016. Dou de ombros: seremos todos meninos.

Mário Magalhães
Folha de São Paulo

Brasil cidadania cosmopolita

Ecoturismo & Sustentabilidade

"O Brasil acordou no último sábado, 3 de outubro, anestesiado pela verdadeira catarse que culminou na sexta-feira, dia 2, com a disputadíssima escolha da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro para sediar as Olimpíadas 2016.

A guerra que o Brasil disputou, iniciada desde a derrota da última pretensão para sediar as Olimpíadas - onde Londres foi a cidade vencedora para as Olimpíadas 2012 – aprendendo com os erros das estratégias passadas, contratou os melhores nomes do planeta para, juntando todas as forças vivas brasileiras, finalmente ver declarado o placar vitorioso sobre Chicago na América do Norte, Tóquio na Ásia, Madri na América do Norte e sagra-se o primeiro país da América do Sul a conquistar este direito espetacular de visão e anfitrionato para todo o mundo.

Vários fatores contribuíram para este sucesso, como a junção de políticos de todos os segmentos e tendências e o preparo técnico do Comitê Olímpico Brasileiro, fatores que costumam cercar uma disputa vitoriosa para um Oscar de Hollywood. Aliás, o próximo passo para o Brasil ser de vez inserido no concerto internacional.

A quase unanimidade do povo brasileiro em torno do Rio de Janeiro, cidade símbolo do Brasil - embora alguns poucos brasileiros chegaram a afirmar que a escolha foi uma hipocrisia, já que escondeu tantas vergonhas e pobrezas dos cariocas,  aliada à violência que atrapalha a bela imagem da Cidade Maravilhosa - mas, acredito que isto é apenas um detalhe no marco maior que foi a conquista que recoloca o Brasil ao lado das maiores potências ambientais, econômicas,sociais e esportivas do mundo moderno.

Paulo Coelho, Pelé, Nuzman e, acima de tudo, o presidente mais pé quente dos últimos anos, Luiz Inácio Lula da Silva, inegavelmente, um predestinado para o sucesso, recaindo em sua gestão todos os fatos positivos, desde a descoberta do Pré-sal à conquista da sede para a Copa 2014 e agora a suada Olimpíadas 2016, são muitos fatores de uma só vez, contribuindo para a vida deste metalúrgico que é um símbolo da superação do povo brasileiro. Alguém duvida que Lula seja a cara do povo brasileiro, da sua miscigenação, da alma e do coração chorão e alegre desta nação que tem ensinado ao mundo, o que é ser um povo diferente e estimado por todos os demais povos?

O cantor Lulu Santos, num momento de explosão, afirmou que agora queria rir na cara dos fiscais da imigração espanhola que, com prazer, barraram os milhares os  brasileiros que tentaram entrar naquele país. Acho que nós brasileiros não precisamos ficar com complexo de vira-latas e procurando outros países nos humilhando. Com nossa vitória sobre a crise econômica, nossos atletas campeões, nossos músicos, nossos cientistas, nossos ambientalistas, temos razões mil para não nos sentirmos o melhor povo, mas, somos um povo que nada deve para outros e que recebe todos os segmentos do mundo aqui em nosso rincão, sem qualquer preconceito.

Onde judeus, árabes, italianos, portugueses, chineses e africanos vivem em tanta harmonia e não se  perguntam de onde vieram e por que aqui estão. Todos são bem vindos, até polêmicos como Battisti e o presidente histriônico Zelaya, o ladrão do trem pagador, e tantos exemplos ao longo de nossa história, que aqui chegam para se sentirem em casa. O Brasil tem muito a caminhar, mas, a alma e a alegria do povo deste país são o maior ativo para venda de turismo, economia e outros segmentos.

Agora é claro que Educação, Inclusão Social e Esportes devem ser daqui para frente os motores que vão puxar este país que vai ter dois grandes certames esportivos para os próximos sete anos. É hora de parar de ver esportistas de todos os matizes mendigando patrocínios para se manterem em seus esportes. Agora o Rio, que tem sido atacado pelas milícias e pelos tráficos, tem a chance de ser alavancado pelos recursos oficiais e oficiosos e injetar nos próximos anos na educação destas crianças, destes jovens e adolescentes, e, num esforço concentrado, diminuir e quem sabe num futuro não muito longínquo, acabar com a maldade e a marginalidade que assusta e afasta tantos turistas nacionais quanto estrangeiros.

O Brasil tem a sorte de ter três capitais, uma política que é Brasília, uma econômica que é São Paulo e o Rio de Janeiro, a capital cultural e esportiva, o ícone de todos nós brasileiros, xodó de todos nós, independentemente de lugares onde tenhamos nascido. O Rio é o Rio de todos os brasileiros por ser uma estrela com vocação para o sucesso, pela beleza de  suas matas, de seus mares, dos seus rios, do seu povo espetacular, da sua roda de samba, dos esportes. Quem não aprecia estar na Cidade Maravilhosa?

Rio 2016 é a bandeira de todos nós brasileiros e a Rede Ecoturismo de Comunicação Social faz a sua parte e junto com sua parceria com a Confederação Nacional do Turismo (CNTur), vai ajudar a trabalhar na divulgação e capacitação de milhares de trabalhadores do turismo para a Copa 2014 e Olimpíadas 2016.

No último dia 3, foi inaugurado o quadro Esportes, Turismo e Inclusão Social na TV Ecoturismo e, na estréia, escalou a abertura da Copa Libertadores Feminina na Vila Belmiro em Santos para dar o pontapé inicial com Marta, Cristiane e suas súditas, as peixeiras da Vila, lançando o desafio de tudo isto com Sustentabilidade, para evitar o aquecimento global que assola toda a humanidade.

Mas, viva o Rio de Janeiro, viva o Brasil, rumo a uma nova era de desenvolvimento e sustentabilidade plena.

Hércules Góes"


Este texto não está mal redigido, ele está muitíssimo mal redigido!! Tenta escrever dificil, o pior é que se diz jornalista...não deve ter aprendido que em jornalismo, se deve escrever de forma objetiva, simples e direta!!

Vamos votar no Rio-2016!! Estamos perdendo!!

Ecoturismo & Sustentabilidade


Vamos ajudar o Brasil nas votações pelo Rio 2016!!

http://www.gamesbids.com/eng/app/poll

Infelizmente estamos perdendo!!